As situações que a vida traz nos faz refletir. É interessante e curioso observar que reagimos instanteneamente a eventos como as crianças que fomos. Nem reparamos como estamos agindo, simplesmente sigamos o impulso de ir. Eu sou assim: instinto puro! Imagina se eu não fizesse yoga! Desastre total. Agora, estou em outras paragens que me fazem bem. Descobri que perdi uma parte importante da vida porque tinha medo de viver essa parte. Meus medos me impediram de agir como "menininha". Eu queria agir como homenzinho. Ora bolas, afinal, homens podem mais e se podem mais, por que não fazer como eles?
É, este tempo acabou. Não sou mais um "cara" para quem os amigos dizem: que puta mina gostosa! Hoje em dia, eles falam palavrão e dizem: Desculpe! Outro dia, alguém disse: use sua delicadeza feminina. Eu retruquei: Eu não tenho isso! A pessoa devolveu: Tem, sim. Está no seu corpo, no seu ser! Eu ri por dentro, pensando: não, você não me conhece. Eu não fui nem sou mulherzinha. Não deu para ser. A vida não me deu muita escolha. Ou eu dava um jeito de me virar nos 30 para chegar até aqui e, como mulherzinha, isso ia ser muito muito difícil, ou eu morria na praia. Então, reneguei a mulherzinha dentro de mim, arriei as mangas e mandei ver como um "menino". Olho para trás com um certo saudosismo: ai ai... pena que se foi esta fase da minha vida que era invisível a olhos sequiosos.
Queria voltar no tempo e ser assim para sempre, mas, arrancaram-me do meu cantinho e o cantinho se desmanchou. Perdi o teto, levado numa ventania. Agora, preciso construir outro para não desmoronar as paredes. Serve se for cor-de-rosa. Vou assumir o lado mulherzinha, assim, a que me habita vai ficar feliz com a purpurina e as frescuras.
Monday, May 25, 2009
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