Thursday, May 14, 2009

Leveza sem asas

Eu queria voar solta no vento como pipa
Queria ser capaz de asas abertas entregues
Tal qual filhote que salta e voa forte
Nem fui assim tão forte nem leve como pena
Saltei sem saber de nada e em nada me agarrei
Nas quedas vertiginosas de pedra em pedra
De mãos sangradas e cortes profundos
Meu corpo era dor e tenso de medo
De tudo, de todos e de coisa alguma
Permaneci mesmo sem querer
Eu queria era a liberdade das asas de águia
Se eu fosse Ícaro...

Mas não nos braços do céu que encontrei alento
Nem no vento que me soprava forte para lá e cá
Chegou um momento que me deixei jogar
Até que nas mãos da água gentil encontrei alento
Em braços desconhecidos conheci amor
Em movimentos fluidos conheci leveza
Quem me segurou me deu confiança
Voei na água sem sentir os pés no chão
Quis encostar um pouco para segurança
No entanto, fluir era a ordem da alma
Apenas entreguei meu ser ao momento
Exato como matemática era ali que tinha que estar
Tudo mudou no mundo caótico
Agora, não mais vento de tempestade
Apenas água de amor e felicidade
Instante para caixa de jóia do coração

Não ganhei asas para sempre
Ganhei um presente enterno de fluir em vida
Em mar de gentil estrada
Nem sei onde vou daqui
Sei que apenas quero voar mais um pouco
No azul de água clara para sempre ficar
Em braços e colo de aconchego de paz
Que me levaram para perto do amor divino
Se é assim que é amar, assim fico para sempre
No elevar eterno de entrega gentil
Para me dissolver no outro ser
E ser apenas eu e você!

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