Monday, May 18, 2009

Pessoas e anjos sem asas

As pessoas são o que são, todo tem seus limites e a tolerância reside justamente em aprender a lidar primeiro com os nossos limites (em todas as instâncias) e, assim, aprendemos a lidar com os limites alheios. Há tempos que a gente perde a fé em tudo e o mundo passa a ser um lugar de demônios, vampiros e monstros. Nada parece existir além do cinza chumbo dos eternos dias de chuva de algum lugar tempestuoso, frio e infernal. Segundo os budistas (alguém me falou isso), o inferno é frio e não quente. Bom, qualquer extremo é desagradável. Enfim, então, tem esses momentos negros que a gente deixa a vida passar porque não tem jeito. Então, de repente, um arco-íris surge entre as o céu e as nuvens e uma pequena ponta de esperança desponta.
Do nada, algumas coisas acontecem e surgem aqueles anjos sem asas que nos seguram. Uns nos seguram em terra, outros em água. É nesse momento que o mundo se dissolve, o coração passa a suspirar de novo e a respirar como há muito não era possível, é quando a gente redescobre o paraíso perdido da infância. Isso pode ser num abraço, numa troca de olhar profunda, num roçar de mão, o que me faz lembrar o fim do filme O som do coração (desculpem, eu preciso falar) em que o autor decidiu terminar o filme com o casal segurando a mão um do outro. Uma amiga minha reclamou. Eu achei aquilo o máximo. De repente, a gente deixa de ser um objeto e tem alguém que nos considera como a gente também considera os outros. Em nossa sensibilidade, descobrimos que há outros como nós, sensíveis, delicados, gentis e que o mundo é expresso numa infinidade de cores diferentes, de explosões mágicas de cores!
São estes pequenos instantes que nos fazem crer que a vida vale a pena. Sei bem do que estou falando. Dá uma vontade de que todos os dias sejam sentidos dessa forma perfeita: com sorrisos, olhares amigáveis, toques gentis, sutilidades humanas e tão nossas que todo sentido parece estar nesses momentos, é o que move o ser, que nos faz querer subir tal qual um balão colorido de encontro ao céu azul. É certo que a trilha ainda é longa e, com certeza, haverá ainda alguns percalços na vida. No entanto, isso não impede da gente ir caminhando admirando as pequenas poeiras estelares que surgem ou juntar as penas das asas dos anjos caídos na terra para nos ajudar a lembrar que nossas asas estão em nossas costas e que nós também podemos voar seja em que lugar for!

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