Tem um texto da Tatiana (trançando os olhos de sono, não vou olhar no blog mas quem quiser procura tempo tempo tempo em http://www.coisarara.blogspot.com) que me fala dessa juventude de alma, que permanece oculta nos olhos daqueles que envelhecem. Eu vejo as marcas do tempo no meu rosto e tenho orgulho delas. Não as trato com desprezo ou vergonha. É certo que as marcas de expressão, cunhadas por franzir o cenho por causa do sol me incomodam um pouco. Afinal, tenho um tico de vaidade. Mas, observo o tempo passar para as pessoas e vejo o quanto ele pode ser cruel mesmo para quem passou um pouco dos trinta. Em que momento será que as pessoas perdem os sonhos?
Eu perdi muitos sonhos pelo caminho, as coisas que caíram da mochila, que se perderam numa parada. Desisti de ser escritora. Ainda tenho dificuldade de me dedicar a escrever qualquer outro livro além daqueles cinco que já escrevi. Virei autora de cinco livros só. Mas, escrevi. Encontrei outros encantos em outras paragens e acho estranho me dizerem que aparento menos idade do que meus quase 36 anos de idade. Acho mais engraçado ainda pensar que em 4 anos, celebrarei 4 décadas de existência! Por que o tempo parece me tornar uma pessoa bela mesmo como fios brancos a surgir? Lá vem o texto da Tatiana Rocha na cabeça, explicando que devemos envelhecer com elegância, com lucidez exata de que podemos deixar o tempo passar mas sem nos dominar pelo dia-a-dia e pela perda dos sonhos.
São os sonhos de outrora, aquele firmamento de bater o pé e dizer das bandeiras que fincaremos nos picos da vida. Antes, eu literalmente desejava ir ao Everest, queria fazer algo da minha vida que me fosse um grande desafio. Pois bem, eu achei, minha própria vida, o enfrentar das angústias que me assolam, do ser inseguro que faz parte do ser humano, achei que que escalar esses picos de si mesmo pode ser ainda mais perigoso que literalmente ir ao Everest. Ouvir a alma dá essa propriedade mágica de rejuvenescimento, é achar o ponto dos alquimistas. Quero todos os picos da vida porque estou aprendendo que superar os desafios não é para qualquer um.
Gostei de descobrir que eu não sou comum. Gente comum não enfrenta, vai sobrevivendo, achando que a vida vai bem, obrigada, escondendo os fios brancos, esticando a cara, fingindo que a vida é sempre cor-de-rosa. Eu sou tempestade, que chora e suspira. Também sou flor que suspira no exalar do cheiro um amor profundo. Finalmente, estou aprendendo a amar. Mas, só pude porque segui na contra-mão da mão única da vida de todo mundo.
Desafiei o mundo. Eu podia ter tido a vida comum mas escolhi esse traço diferente, uma pitada da mão de Picasso e, apesar das pirambeiras, eu gosto do que essa palheta trouxe.
Tuesday, June 23, 2009
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1 comments:
A gente é o que é!
Saber quem é, puxa vida, isso é o trabalho de uma vida inteira!
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