Sunday, June 07, 2009

Poeira e magia

Hoje, foi um daqueles dias em que o mundo passou sem se dar conta das coisas que havia nele, um dia de vida de tantos outros seres humanos, absortos em seus mundos dentro de mundos, de encontros e desencontros. Eu estava no espaço de dança onde a vida parece fluir de veias invisíveis. De onde deitei no linóleo preto, onde meus pés e meu corpo se esfolam, eu reparava na delicadeza da poeira nos raios de sol, nas espirais que se formavam e se encadeavam de forma tão perfeita e harmônica. Eu ouvia a voz da professora mas o pó me chamava a atenção como estrelas divinas. Eram mundos dentro de mundos, espirais perfeitas, danças cósmicas! As palavras distorcem o movimento, a sensação, a delicadeza mas não sei dizer de outra forma aquele instante em que pude admirar por pouco tempo que fosse aquele espetáculo feito pelos deuses, que estava de presente ali, para mim e para quem quisesse ver também.
Eu falei com meu corpo hoje. Sinto que vivo solta agora. A dança me deu alma, alegria, vontade de seguir mais e mais adiante. É um ponto de referência, um porto seguro. A melhor coisa foi dançar de olho fechado, sentir o vento passar, a alma sorrir na música, entristecer e enlouquecer nos olhos cerrados! Quanta coisa para um dia só. Então, veio a hora do almço. Eu comigo mesma saí caminhando pela pista que me levaria a um shopping próximo. O vento beijou meu corpo, o sol acariciava minha pele. Sensação de plenitude cósmica, máxima, um gozo indescrítivel. Quem disse que a gente só tem orgasmo com sexo? Eu me senti com minha solidão, comigo mesma, com o vento, com a vida, com tudo que me dá chão e certeza dentro de mim de que a voz do coração é o que vale a pena nesse mundo.
Eu sei que estou perdida por ora, que ainda estou frágil pelas singelezas de decisões difíceis. É um aprendizado continuar a viver um dia depois do outro, um passo depois do outro como fiz no meio da pista vazia de um dia de domingo preguiçoso. Eu comi sozinha e me fiz companhia. Voltei só para outra dança e me surpreendi sendo capaz de acompanhar movimentos complexos ou, para mim, complexos antes. Nunca pensei que pudesse me movimentar com tanta agilidade e no tempo certo numa dança! Estou em êxtase, apesar da dor no pescoço, dos braços esfolados, dos ombros doloridos. Tudo é um rio de prazer que corre em minhas veias, que corre em meu espírito.
Hoje também foi o dia que resolvi diminuir o ritmo, o passo e viver em plenitude sem correr a 100 quilômetros por hora. Dá para fazer tudo e cada coisa no seu tempo. Ainda trago o abraços do sol e o beijo do vento e as aventuras da dança em meu corpo. Sei que logo ali na esquina, o momento terá passado mas ficou na história da minha vida um encontro comigo mesma.

0 comments: