Ando pensando em dor. Na minha, na dos outros e na do mundo. Houve uma época distante que eu parecia sentir uma dor imensa do mundo. Era como se tudo chorasse à minha volta e eu chorava junto, num desespero louco porque a dor não era minha. Era uma época em que eu queria salvar o planeta das mazelas causadas pelas mãos humanas. Desisti disso. A natureza é sábia. Deixo nas mãos dela fazer o que deve ser feito (a gente podia colaborar um pouco, né?). Minha história não difere da história de tanta gente e, no entanto, essa dor que sinto é pungente, é dor antiga que é nova, que renova na alma. É triste descobrir a morte de um sonho, um amor que nunca se concretizou e se realizou.
Uma pessoa me fez ver e ouvir o que eu jamais quis ver e ouvir antes. Bem que os amigos tentavam dizer o que era melhor, mas, é melhor tapar o sol com a peneira e tentar viver de migalhas de sonhos que entrar de novo na roda vida desse mundo que não tem fim de choro! Um dia sem as lágrimas, um dia com todas elas. Outro dia ouvi que tem gente que sofre mais do que eu. Sei disso como também sei que cada morte é de cada um. Perdi um mundo, ganhei outras coisas. Até tudo entrar de novo no lugar leva um tempo. Foi preciso coragem para morrer. É preciso coragem para viver também. Cada um de nós tem um momento que parece que o chão é a casa, as forças foram subtraídas e nem o sol aquece como deveria... é estar em um eterno dia de inverno.
Dói ver e saber que o amor nunca habitou uma casa perto de mim, apenas pairou de desejo, dói saber que eu nunca tive nem realizei o sonho de ter sido um grande amor para alguém, dói lembrar que eu fui sacana com quem amei, dói saber que menti, dói saber que eu machuquei alguém como me machucaram também, dói saber que eu não consigo mudar muita coisa agora, dói saber que eu nada posso fazer por aqueles que foram pisados por mim, dói saber que meu coração é amargura só neste instante, que o perdão passa a léguas de distância (é o próprio papa-léguas fugindo), dói saber que estou fraca e frágil e que restou quase nada do meu castelo, dói morrer... e dói encarar isso tudo desnuda de armas: é apenas meu corpo, meus olhos, meus sentidos, meu coração e os espelhos.
E a única coisa que acaba ficando, no fim das contas, é que tudo passa para sempre. Eu só tenho a sensação de que vou explodir de tanta angústia, de tanto medo, de tanta coisa que achei que dava conta. A vida me deu uma chicotada, aliás, touché, uma estocada perfeita no coração para eu ver que o que eu nunca tive foi o que sempre desejei e, se eu continuar, ladeira abaixo, vou continuar do mesmo jeito de sempre. A música precisa mudar e está na hora de Gloria Gaynor entrar com sua voz estonteante:
At first, I was afraid, I was petrified.
Kept thinkin' I could never live
Without you by my side,
But then I spent so many nights
Thinkin' how you did me wrong.
And I grew strong
And I learned how to get along.
Espero que todos que tenhamos esta sensação de alma corrompida possamos acompanhar para sempre Gloria Gaynor!
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