Friday, July 31, 2009

Ele simplesmente não está a fim de você

Raramente, eu realmente faço uma resenha de algo que li ou assisti. Mas, este livro me fez ver muitas coisas da minha vida, repensar certas condições para relacionamentos. Tenho, inclusive, tido debates muito interessantes com meus amigos sobre a triste e atual situação humana sobre relacionamentos, principalmente, amorosos. Tudo fast food. Sexo sem o compromisso. Apenas o ad infinitum do prazer. Puxa! Que bom te conhecer! Vamos logo ali? Quero te comer! Nossa, até nunca mais! Hasta la vista, baby!!!! Eu sei que estou escrevendo sobre um livro para meninas, mas, é para elas. Eu sei também que alguns homens (sim, eles existem porque converso com eles) também estão em busca de alguma solteira legal com quem possa compartilhar a vida. Talvez, se eles lessem o livro que tive em mãos, eles também reconheceriam as mesmas desculpas esfarrapadas nas moças com quem travam algum conhecimento.
Confesso que me senti patética ao abrir este livro em público. Afinal, era como dizer ao mundo que eu sou miserável no amor e isso não é exatamente algo digno, certo? Outra coisa é que parece que soamos um tanto quanto desesperadas ao pegar um livro destes. Mas, no fim das contas, descobri que seremos corajosas se enfretarmos o fato de que as desculpas das pessoas (mulheres também dão desculpas) são exatamente isso mesmo: DESCULPAS ESFARRADAS. E, nossa, quanto ao fato do ser tratar bem no começo? Bem, o livro não trata disso, mas, convenhamos, por favor: volto lá em cima, sexo é o objetivo final de alguns seres humanos que vivem para o hedonismo. Tudo deve e tem que ser prazeroso e ai do pobre diabo que não se render aos encantos, vira uma vítima ainda mais prazerosa de se conquistar como em Ligações Perigosas. Afinal, ter um relacionamento exige compromissos e, aqui, eu friso: qualquer relacionamento exige compromisso (parentais, fraternos, amizades, etc). Todos nós em dado momentos, somos obrigados a crescer e, de repente, fazemos isso com prazer. Algo nos move. Tenho uma amiga que diz que é o ódio ou o amor que nos faz ir adiante!
Então, se um ser manipulador destes encontra, realmente, a mulher da vida dele, acredite, as desculpas param, o ser evolui e a gente fica com cara de paçoca. Conhece a história? Eu conheço! Muitas e repetidas vezes!!! Como eu disse: muda o corpo e o nome! Ficamos sem entender o que fizemos de errado. Este livro me ajudou a entender o que, ao menos, eu fiz de errado: eu aceitei menos do que deveria e fiz todas as escolhas erradas. Se temos prioridades para encontrar alguém, finquemos nossa bandeira em nossos objetivos. Quer um exemplo de como vamos nos embrenhando na mata da perdição da auto-comiseração dos relacionamentos lascados? Você quer um homem que não fume e aparece aquele Apolo delineado, perfeito em vários aspectos e que, charmosamente, saca do maço de cigarro e fuma. Que é que tem? É só de vez em quando mesmo! Sua regra vai para o ralo e você acaba indo junto. Estabeleça prioridades. Por exemplo, encontrar gente em balada é a pior furada do mundo!
De qualquer modo, o que estou falando é que o livro pode ajudar você a encontrar um ser humano que seja capaz de (nossa! surpresa!) tratar você como ser humano com todos os requintes e frufrus que você acha que tem direito! Eu sei que ficar só é ruim e que, nossa, às vezes, ficar sem sexo é como dar beliscão em azulejo. Mas, só por uma vez, ouça sua alma e seu coração. O que é melhor? Ficar só e se respeitar (mesmo que seja pelo resto da vida, o que eu duvido que aconteça) ou ficar com alguém que desvalorize tudo que você construiu com suor e lágrimas ao longo da sua vida (qualquer que seja aquilo que você se tornou para ser diferente do que o que seus pais queriam para você ou deixar de ser a sombra de um primo, irmão, alguém da família que parece ser legal para seus pais, etc)? Pense bem e tenha certeza de que há alguém no mundo para você.
Eu sou legal, deixo o aviso para o final: se sua auto-estima e seu histórico em relacionamentos (é como o meu) não são das melhores coisas, este livro é bastante indigesto. Mas, aproveite para transformar o limão em uma bela limonada suíça e para você aprender a ser a cereja do bolo mais querida do mundo!

Momento de verão em inverno

Meu terapeuta teve que cancelar a consulta e costumava ser bem clichê quando a secretária ligava: pelamordedeus! Nãooooooooooo... eu preciso dele! Hoje, eu pensei: bom, vou tirar a tarde para mim. Resolvi umas coisas relacionadas a cheques. Deixei o tricot em casa, que minha mãe diz que está mais do que horroroso, mas, faço do mesmo jeito, é terapia ocupacional para momentos de espera angustiante. Então, eu pensei que ao invés de voltar para casa para dormir ou ficar conversando no msn, decidi parar no Pontão, lugar à beira do lago para ler um livro bestinha que comprei há um tempo atrás, Sigo você toda noite, sobre um cara que se apaixona por uma estranha que dá para ele um dia antes do casório. Ele se apaixona por ela e ela por ele, mas, ainda assim, se casa com outro. Enfim, fui para a beira do lago com o livro, cercada por namorados em momentos relax de vida na tarde de uma sexta e eu me convidando a sair! Fiquei ali ouvindo a música que saía do restaurante fino e caro que vou me levar, um dia. Entrei lá ontem com meu fiote! O vento bateu na pele misturado ao calor que provocava o vento. Deleite puro. Descanso total. Lógico que os pensamentos se misturavam na cabeça sobre coisas que foram ainda recentes. Mas, toda morte dói e todo ódio consome até o tempo passar para deixar marca alguma.
O que importa disso tudo é que, diante da dor, os processos de libertação foram mais prazerosos e me tornaram melhor. Estou numa fase em que duas frases tem sido bem usadas: uma, o que não nos mata, nos fortalece e se jogarem pedras, junte todas e jogue-as de volta!

Monday, July 27, 2009

Amanhã, é outro dia!

Assisti as quatro longas horas de filme de E o vento levou... Eu era criança quando assisti pela primeira vez. Eu lembrava de partes. É filmão! Estou me sentindo em filmes: aquela situação clássica de pegar filme antigo, comer na frente da tv e olhar o mundo passar pela janela. Não estou dando conta de mim não... Eu queria outras coisas diferentes, ser diferente, ser fodona! Eu não sou fodona! Só tenho pinta, eu acho. Quem me conhece deve saber melhor. Hoje, eu definitivamente, estou em um dia sensível até o talo da alma. Eu não chorei com E o vento levou, mas, acabei-me com Bonequinha de Luxo! Agora, que eu queria um Rhet Buttler na minha vida, ah, eu queria! Um homem lúcido, apaixonado, só que com escrúpulos! Isso seria interessante. Pena que Scarlett era uma mulher impiedosa, apaixonada por um sonho. Eu sou apaixonada por sonhos. É por isso que me estrepo sempre. Estou azeda. Como ela diz no filme: amanhã, é outro dia!

Friday, July 24, 2009

Nunca mais passarei fome...




Nunca mais na vida serei humilhada! Quando estava na ponte e um filme da minha vida passou pela minha cabeça e fui lembrando de situações e encrencas nas quais me meti, jurei para mim mesma que nunca mais na vida eu passaria por situações de humilhação na vida! Nunca mais mesmo! Não vou roubar nem matar como a Scarlett nem vou humilhar ninguém porque já aconteceu comigo. Não tenho essa natureza. Já chorei tanto por conta de tanta gente e tanta coisa! Agora, eu ando é muito indignada, muito puta mesmo. Vontade de mandar quem me machucou para a beira dos quintos dos infernos. Falo de gente que já passou há muito tempo e eu nunca fiz nada a respeito porque, afinal, eu tinha que ser legal. Puxa! A pessoa tem tantos problemas... eu dei todas as justificativas possíveis para os problemas dos outros e passei por cima dos meus com o maior trator do mundo. Agora, estou juntando os pedaços do que sobrou. Tarefa nada agradável! É nessas horas que a gente descobre que somos mais corajosos do que achávamos, que temos mais amigos que pensávamos existir e que quando algumas pessoas colocam as mãos nas costas para confortar você tem vontade de gritar e mandar para o inferno também! Oras, lógico que o tempo passa, lógico que a vida leva embora. Afinal, a gente já viveu, já passou por coisas. Não adianta gritar agora... 20, 15 anos se passaram e as pessoas se foram. Eu também deixei essas pessoas fazerem o que fizeram. Mas, sei lá, e eu lá tinha consciência do que fazer comigo mesma? Não, não tinha! Aí, vem a parte boa da coisa toda: o perdão por si!
Dia desses, encontrei alguém que me serviu de espelho. Trem bão demais, sô! Eu vi, percebi e notei quanto ódio devo ter nutrido no coração de vários seres humanos que habitam a face da terra... bom, nem tanto. Mas, algumas pessoas não tem boas recordações da minha pessoa. Agora, eu sei porque... provavelmente, eu fui o trator que passou por cima delas, abusei da boa vontade sem nem dizer obrigada, falei coisas sem pensar, talvez, tenha brincado com o sentimento alheio. Sim, sim. Um mea culpa aqui se faz necessário. Estou num processo de redenção e ninguém lê mesmo essa bagaça aqui! Isso tudo aí fez parte de mim. Talvez, algo disso ainda permaneça. Não sei, mas, tomei na testa para chegar aqui hoje e dizer que NUNCA MAIS SEREI HUMILHADA. Nunca mais passarei fome de afeto! Chega! Agora, meu jogo, minhas regras! Tolerância zero!
Perdi a paciência para lidar com gente que se acha. Houve um tempo que até deixaria passar algumas, continuaria dizendo: oi! Tudo bom? mesmo sem querer. Agora, não estou a fim, não. Quero paz, sossego e tranquilidade. Eu sei que o meio termo é a melhor estratégia mas, recém descobri que é bom ser assim vez ou outra! Então, que seja, nunca mais passarei fome outra vez!

Thursday, July 23, 2009

Manhã de vida

Não dormi de noite. Tem dia que passo em um lugar aqui na cidade e vejo os bancos e o sol dando as caras. Então, pensei: por que não ver o sol nascer no banco? Bom, o lugar estava fechado. Fui para outro. Fiquei na ponte e fui observando as cores. O dia amanhecendo,dois três riscos de nuvens no céu: um que lembrava um dragão e um filhote, outro que era só um risco. Mas, o conjunto na cor ferrugem e cinza que o céu ia adquirindo formou um conjunto muito belo. O barulho da água embaixo da ponte também tornou tudo muito especial. Fiquei pensando no beijo que recebi no primeiro dia do ano naquela mesma ponte há longíquos 11 anos atrás, no ano em que conheci uma pessoa especial na minha vida. Eu estava passando ali e parei o carro para ajudar um cara, esqueci o nome do sujeito. Ele me beijou e eu até consegui achar o telefone dele, mas, ele se foi e eu toquei minha vida. A água e o dia raiando me fizeram perceber que a vida tem muito mais a oferecer. Outras pessoas passaram e sei que outras passarão. Umas poucas vão ficando porque é assim que a vida funciona. Tem gente que é pedra que a gente guarda no coração e tem gente que é onda fluindo na vida. Tem gente ainda que surge como raios de ferrugem no coração da alma.

Descobertas

Tem gente que se acha nessa vida só porque tem troféu, diploma, dinheiro ou fama. Tem tanta coisa mais séria e importante que isso tudo. Troféu... bom, meu pai ganhou um monte quando tinha barco. Tem um ali, numa prateleira do meu quarto! Diploma? De que adiantou o meu quando eu tive depressão? Quando eu sentia fome e não conseguia comer? Não me tirou da cama! Bom, o diploma do médico, sim. Dinheiro? Bom, quando se tem muito, às vezes, as pessoas acham que os outros se aproximam por causa dele. Fama? Parece que dá o direito dos outros pisarem nos outros. Nada disso me afeta muito. Eu confesso... um diploma de Oxford enche os olhos! Mas, se eu conhecer a pessoa e ela for prepotente, arrogante e tratar os outros com desprezo: hasta la vista, baby.
O que eu gosto de pensar e gostaria de poder dar troféus para as pessoas que acordam às 5 da manhã para ir trabalhar e tentar dar uma vida digna para os filhos e conseguem fazer isso! Uau! Que pessoas fantásticas! Eu tenho o prazer de conhecer uma delas. Ralou para chegar onde está, ela diz que é não sabe escrever e falar mas tem o coração de mãe, cuida de mim como se fosse a minha própria! Ela se preocupa com a alma dos outros, é humana, erra e some da vida da gente. Mas, Deus meu, este ser humana batalha para uma vida digna, não passa por cima de ninguém e vive firme com mais ética que muito profissional por aí. Então, que mundo é esse que quem tem troféu precisa pisar nos outros? Isso é coisa de gente fraca das idéias, que não sabem quem é no mundo e acha que o que está fora vai valer para todos.
Infelizmente (e graças a Deus), tem muita gente doida nesse mundo que se importa é com a alma, com a bagagem adquirida na vida. De resto... o resto é o resto porque a gente só leva a alma quando vai embora.

Wednesday, July 22, 2009

Madrugada adentro

Descobri uma fúria incontida dentro de mim. Sábado fiz aula de defesa pessoal. Fui a última a pegar as luvas para socar. Tinha uma menina que o professor catou distraída na academia e um aluno regular dele. Eles foram normais. Hora que aquelas luvas entraram na minha mãe, entrei no que ando chamando estado de "rage". Eu parti para cima do professor com uma vontade que fiquei cega. Não vi mais nada. O professor disse, depois, que eu tinha olhos de tigre e fica zoando na academia que a professora de yoga era a mais agressiva do pequeno grupo! Mais tarde, naquele dia, conversei com a mais nova amiga de infância, psicóloga (curioso como andam pululando psicólogos à minha volta) e ela me falou que é minha criança interior que se sente negligenciada. Estou trabalhando essa criaturinha quase desfalecida, que está nos meus braços estraçalhada e muito brava por ter sido abandonada e por eu ter deixado ela de lado por tanto tempo.
Outra coisa que cheguei à conclusão é que resolvi o tipo de pessoas que quero na minha vida. Cansei de gente enrolada. Dramática como sou e estou, resolvi que não tenho tempo, energia nem emoção para poder dedicar a quem não me tem consideração. Escrevi assim: Esqueça que existo, se é que algum dia chegou a lembrar de mim. Serve para todo tipo de gente que aparecer. Quero qualidade. Quero gente de sossego. Quero gente de paz. Sim, pessoas normais com suas peculiaridades. Afinal, todos somos diferentes, imperfeitos em nossa perfeição. Então, resolvi observar melhor essa criança interior. Eu sei que foi uma frase dramática, levada pelo calor de uma emoção infantil de sentimento de abandono... mas, quer saber? Também cansei de aceitar, calar e reprimir. To com raiva? Sim! Muita!!! Só quero que isso tudo acabe logo porque parece que não vou dar conta de mim mesma pelos próximos dias.
De qualquer modo, foi bom ter esta explosão de sentimentos, sensações, percepções. Agora, sei melhor quem eu sou e as minhas possibilidades de lidar com aquilo que antes parecia tão distante e impossível: o âmago de mim mesma. Não estou mais no inferno nem na casa de espelhos. Estou em um mundo de diálago com todos os eus que existem em mim e quero ouvi-los um de cada vez para que o espelho volte a ser inteiro como sempre foi.

Saturday, July 18, 2009

Love is the answer

Estou aqui pensando sobre jornalismo e perigo. Grata pelo fato das ondas terem me cuspido de volta à terra, apesar da vontade de me jogar e pedir ao grande deus da comunicação: Por favor! Aceite-me!!! Nada... e lá ia eu, jogada novamente nas areias. Eu queria ser destemida e intrépida, cobrir as mazelas do mundo, dizer as verdades fraudulentas. Descobri com tristeza na alma que a coisa não funciona bem assim e que ser jornalista, dependendo do lugar, é praticamente como assinar uma sentença de morte. É uma das profissões mais mortais do mundo. Enfim, minha única prática jornalística se resume a se sentar atrás da tela do computador e escrever aqui (o único perigo real seria se desse algum pipoco elétrico... mas, ainda assim, algo muito remoto de acontecer. A máquina queimaria e eu morreria de raiva mesmo!)
Fiquei pensando nos jornalistas torturados ao longo dos anos e aqueles que insistem em colocar suas vidas em risco em nome de passar adiante alguma notícia, da glória, de algo que os defina, que mostre seus brios e colhões (mesmo que sejam mulheres). O que os leva a querer passar por isto? Estar em zonas de conflito, largar o conforto de seus lares e deixar suas famílias para trás? Talvez, esteja relacionado com o que Freud chamou de pulsão de morte, uma vontade de morrer que vem mas não se concretiza de fato de maneira consciente. Ou, talvez, seja aquela necessidade de ter a adrenalina quicando no cérebro porque passar por uma situação de perigo traz prazer a partir do momento em que o perigo deixa de existir. Se sou destas pessoas? Provavelmente! O perigo permeia minha vida em outro sentido.
Sem essa pulsão na alma, não há jornalista que conseguisse enfrentar as dicotomias destes inóspitos lugares febris de dor. Sempre que penso nisso lembro de um filme chamado O resgate de Harrisson, cuja esposa recebe a notícia de que seu marido, fotógrafo, morreu em serviço e segue atrás de sua trilha. Filme notável e cheio de contrastes cuja cena que me marcou é quando a esposa é quase estuprada e, claro, o final. Toda esta reflexão é porque soube que um conhecido meu foi preso por questões políticas. O final do filme fala um pouco do depois, de como a pessoa fica após angustiantes dias. Tinha um amigo jornalista com quem conversava graças à internet, que sumiu pelas brumas cibernéticas, e que me falava que depois de tantos anos, só dormia com remédios. Por que nos torturamos? Por que deixamos o mundo se tornar esta coisa amorfa sem respeito e dignidade? Somos nós que transformamos o nosso mundo e tudo começa em nós.
Infelizmente, as notícias que ganham prêmios não são as notícias que nos tornam seres humanos notáveis, não é a Dona Maria que luta para cuidar dos seus filhos e colocá-los para ter uma educação decente ou como o rapaz que vi ontem vendendo brincos e seu filho logo atrás. Condecoramos muita gente por serem doidos para arriscarem suas vidas e esquecemos dos simples e de tudo que deveríamos realmente aprender como: honra, lealdade, amor e vida. Talvez, esses homens e mulheres que trazem imagens e notícias do inferno sejam nosso termômetro para que possamos refletir se, realmente, vale a pena tanta violência e dor. Onde parar com isso? Nos nossos corações. Tarefa fácil? Nada! Das mais árduas. Como disse há sete anos atrás quando alguém me perguntou no que acreditava, eu respondi: Love is the answer. O mesmo agora. Love is the answer.

Thursday, July 16, 2009

Mulheres unidas

Tenho conversado com mulheres de várias idades, classes sociais e culturas diferentes. Estou bestificada com as pérolas que saem das bocas dos homens. Eu vou falar de gênero hoje, não tem jeito. Eu sei, meninos, que tem as pérolas das moças também. Mas, a top das tops e não fui eu que ouvi foi: Deus colocou você no meu caminho para me testar! Mas, que diabos é isto exatamente? Cara, seja homem, vista as calças e diga: mulher, eu quero pegar você. Vamos? O máximo que vai acontecer é a donzela dizer: ei, não estou a fim. A fila anda, cada um vai para o lado.
Os homens crescem com a idéia de que a mulher é frágil, então, começa a se afastar porque, coitada da princesa, vai sofrer horrores quando ele disser que está tudo acabado! A dor é muito mais gigante quando a gente descobre que foi enganada porque tem o ditado que diz: A gente engana uma pessoa por muito tempo, algumas pessoas por algum tempo, mas, não engana muitas pessoas por muito tempo. Então, não é mais digno chegar e falar: não dá mais? Tudo bem... às vezes, as coisas acontecem num rompante, num impulso, num grito de liberdade.
Percebi também que nessa loucura toda entre homens e mulheres, que há uma permissividade grande por parte das mulheres. Nõs deixamos que estes homens se tornem nossos carrascos como está escrito no livro Mulheres que correm com os lobos no conto do Barba Ruiva. Precisamos aprender a colocar os limites e deixar de ser as donzelas em perigo. Eu perdi todos os livros que falam dessa força que devemos adquirir. Por que será, né? Mas, vou juntar tudo no caminho. Talvez, assim, ao encontrarmos um meio de colocar um sinal vermelho nestes homens nocivos possamos encontrar quem nos seja não um príncipe mas um ser humano digno de nossa atenção.
Deixo aqui também um dos meus ditados preferidos, que vem do grego: NÃO TRATO COMO PRIORIDADE QUEM ME TRATA COMO OPÇÃO

Wednesday, July 15, 2009

Brincadeira de criança

Quando a gente é mais novo faz cada coisa... estou na casa da minha mãe. Então, passando pelo corredor onde eu brincava, tentei fazer uma brincadeira que não era das mais espertas dada os riscos de acidente: encostar numa parede, pés na outra e ir subindo, subindo, subindo até quase o teto. Mas, de repente, estou mais pesada agora, certo? Não, quase o mesmo peso de antes. Apenas consegui colocar as costas na parede e os pés pressionando o armário! Quem disse que subia? Deu até medo de descer!!! Admiro a ousadia infantil que não conhece barreiras e ignora os perigos. Talvez, esta seja uma grande lição quando nos tornamos adultos: as barreiras são impostas por nós mesmos e os perigos... a vida é um risco diário. Quem me garante que vou acordar e vou estar livre de um atropelamento? De um acidente qualquer? De um escorregão que me tire a vida? Já ouvi histórias reais de mortes assim.
Nossa, fui falar de brincadeira e acabei em morte! Enfim, só para exemplificar. O dia de amanhã é o dia de amanhã e o que se tem hoje é este momento para respirar, suspirar e viver, ou seja, tentar fazer algumas coisas estúpidas de quando éramos crianças como escalar corredores estreitos como fazem os heróis nos filmes, sonhar com histórias inverossímeis mas, ainda assim, perfeitas porque eram os nossos mundos, criar brincadeiras em mundos de faz-de-conta em cima da cama... tanta coisa passou e ainda é tão verdadeira! O tempo passa e como disse alguém outro dia: devemos aprender com o que aconteceu e deixar pra lá!

Tuesday, July 14, 2009

Medo

Estrelas no firmamento

Rodei distante mundos e mundo em busca das respostas ideias de mim e dos outros. Ainda vagueio por entre estrelas no firmamento, usando os cometas de calçada na tentativa manca de entender este lugar estranho em que o amor é buscado e todos morrem de fome e cada um se deixa abusar em busca de um tico de migalha. Que fome é essa que imprime tamanha tensão? Amor não deveria ser assim tão duro. Deve ser o esquecimento da luz que arde no peito de cada um. Tornamo-nos buracos negros, sugando uns aos outros, remoendo destinos e desatinos. Platão dizia da parte partida de nós mesmos. Somos metades em busca de outras metades. Mas, não é isso que conduz ao sofrimento, é essa sensação de estar em lugar em nenhum e ser ninguém entre pessoas porque não olhamos nos olhos nem tocamos com desvelo nem temos palavras amigas reais. Fingimos tanto e por tanto tempo que viramos robôs de nós mesmos, cópias fidedignas que andam e comem, mas, que não fazem amor e nem podem porque não sabem de que se trata isso. Talvez, o dia que houver tanto mais coração, teremos mais empatia e menos guerras. Meu coração ouvirá seu coração, meu irmão! Não lamentaremos mais, abraçaremos uns aos outros no real sentido da canção. Quem canta com a alma resplandece no coração. Rogo de joelhos ao que há de divino para que paremos um pouco e ouçamos nosso próprio pulsar indo e vindo. Quem sabe, um dia, a vida se torne leve para voarmos em torno da lua e brincar em volta do sol? Todos de mãos dadas em luz e desvelo.
Chega de usarmos moedas em troca de tão pouco. Vendemos fácil demais por coisas tão tolas. É, eu sei, também fiz isso. Quem não fez, oras? Assim, eu ainda procuro. A sorte mminha é que há outros vagantes neste vasto firmamento que vagueiam ora comigo, ora aqui e acolá, sempre em contato, lembrando de coração em coração, que a vida se faz quando vivemos tudo com presteza! Vivamos, pois, em plenitude, consciente de que hora ou outra, é permitido encolher-se e chorar. Outros vagantes virão e acolherão. São raros estas estrelas, mas, elas existem!

Monday, July 13, 2009

Reaprender

Às vezes, tudo parece realmente perdido. Beijamos a lona e nem vimos qual foi o caminhão que atropelou. Só sabemos que estamos ali, na solidão e nada parece que vai melhorar. Colocamos uma mão no chão, depois a outra, a dor nos lembrando de nossa situação, daquele momento que despencamos nosso orgulho. Sentamo-nos sem esperanças, acreditando ser aquele o evento mais trágico de toda nossa existência e que nada mais vai ferir, machucar ou angustiar a gente. Mas, tem muita coisa: sonhos desfeitos pelo caminho, gente que humilhou a gente, orgulho ferido, feridas abertas no peito. A gente vai juntando tudo isso, as feridas da guerra e tentando se reerguer com um amargor na boca indefinível.
Caminhamos de cabeça baixa pela vergonha da humilhação, por termos sabido lidar com o evento que nos levou àquela fatídica condição deplorável (que todo ser humano passa um dia) até que, um dia, nós nos damos conta de que podemos ser mais do que acreditamos ser, de que não devemos depender do que foi mas do que é, de que os momentos estão no aqui e no agora. As dores se transformam em cicatrizes finas e imperceptíveis, visíveis para nós que passamos pelo caminho, que choramos e perdemos inestimáveis bens e amigos (pedaços de nós mesmos). Quando a esperança ressurge em nossos olhos, as pessoas voltam a se aproximar e nos tornamos outros e os mesmos. Sabemos com quem podemos contar à nosssa volta. A derrota é um aprendizado. A dor se torna vitória.
Com esse gosto renovado, retomamos nossa estrada e percebemos que já estamos próximos do pico perigoso, daquele momento que ansiamos tão desvairadamente... tudo nos chega com novos olhos, nova vida, novo tudo! Há esperança para todos nós neste mundo. Basta encararmos o nosso coração e deixarmos que ele nos guie em nossa jornada, ele sempre saberá o que é melhor para nós mesmo que achemos que o melhor é alguém que deve ficar à distância e, para sempre, à deriva. Sigamos apenas o fluxo inevitável de nós mesmos e seremos felizes, mesmo que choremos.

Friday, July 10, 2009

Hallelujah

Aleluia
A palavra hebraica "halleluyah" é composta da forma imperativa do verbo "halal" – louvar, e do substantivo "Javé" ou Jeová". Por tanto o significado lógico da palavra em hebraico e mantido em Português é - louvai a Jeová ou a Deus.

Houve tantos momentos em que senti meu corpo tremer e meus joelhos tocarem a terra e eu gritei ao Senhor em nome da minha salvação, em nome de um momento de claridade para aplacar a dor que entranhava pelo coração e tomava conta da minha alma. Eu gritava de todas as formas possíveis em dias que as lágrimas não corriam e o sangue era vertido pelas veias no suspirar contido de uma vida que quase se ausenta do corpo. Eu chamava e clamava a Deus. Por onde está você, Senhor? Por favor! Retire de mim esta dor que me consome, que me desata. Eu ouvia o silêncio do firmamento, a loucura da minha própria voz. As estrelas borravam com as minhas lágrimas, eu conversava com as águas, os rios, com a terra. Onde está a salvação? - eu clamava, Senhor. Em nome do que tudo isso que amarga e dói? Nada parecia aplacar a angústia. Eu gritava e implorava sem entender porque a vida insistia em ser tão dolorosa e difícil.
Sem saber porque eu ouvia esta música em breves momentos na tv e as lágrimas me chegavam aos olhos. Era como se fosse uma resposta que eu não ouvia. Normalmente, as respostas são quase invisíveis, um véu que nos cruza, um perfume que surge do nada. Ela estava lá e eu não vi. Não fui abandonada. Ninguém o é, na verdade. Lembro da cena do filme Tão longe, tão perto quando o anjo se perde do caminho (ser humano é se perder constantemente. Seguir o caminho da retidão é a tarefa mais árdua para os que aqui põe os pés) e a amiga dele, do outro lado diz: Kassiel, estou aqui! - e ele não ouve. Perdemos a capacidade de ouvir os anjos que nos abraçam com suas asas, que ouvem o crepúsculo. Deixamos de ouvir os raios de sol e a poeira que forma redemoinhos. Deixamos que a vida nos leve para o sombrio de nós mesmos, esquecendo que podemos louvar ao Divino e que na fé encontraremos a retidão que, às vezes, parece nos faltar, é onde preencheremos o vazio de nós mesmos. É em nós mesmos que está a força do mundo, que nos move onde precisamos estar.
Hoje, foi a primeira vez que ouvi a música e que o mundo não desabou. Sinto as asas dos anjos. Com o dedo do pé, percebi como ir devagar é bom. Eu sou veloz como o vento, como a tempestade que toca a terra. Fui fazer um favor para meu pai agora há pouco e percebi que ir devagar me dá consciência, transparência e lucidez. Então, Aleluia! Tudo está no lugar.

Guia do ser humano moderno para relacionamentos

Caríssimos, não vou falar de gênero porque, nos dias de hoje, a coisa está complicada. Então, para evitar grandes complicações, percebi que existem algumas dicas que estes seres humanos nos dão que podem evitar que a gente compre gato por lebre!
1. perceba se a criatura em questão é enrolada. Como? Chega atrasada ao trabalho? Se tem filhos, como é o relacionamento? Fica com os filhos ou os deixa com o pai/mãe para se divertir?
2. Busca eterna pelo prazer.
3. Promete tudo de bom para você em busca da conquista, de encontrar o seu pico Everest. Não interessa a classe social da criatura, tudo será feito para que você seja um peixe que vai direto para a boca do tubarão.
4. Cuidado com as coisas que acontecem rápido demais.
5. Ah! Frase típica e célebre dos seres sem compromisso: EU GOSTO DA MINHA LIBERDADE! Estes seres humanos têm trabalhos que os fazem sem rumos, um Marlboro Man ou uma mulher desbravadora. Nada errado mas desde que as regras fiquem claras.
6. Esses seres humanos têm o sonho dourado de uma família, casa, comida, roupa lavada... no entanto, na hora do "vamo vê", a porca torce o rabo e esta criatura escapole como areia pelos dedos.
7. É uma pessoa que não sabe o que quer. Quer você, quer o mundo, quer sorver a vida de um gole inteiro.
8. É um/a sonhador/a e não sabe como sequer chegar às metas impostas.
9. E na hora que quer sair fora? Al Capone, provavelmente, era mais digno. Começa fugindo de você de uma hora para outra, deixa de ser salva-guarda e começa a maltratar. Quando digo maltratar, é maltratar mesmo, ser bem indigno a ponto de usar palavras ferinas com o intuito de afastar você da vida daquele ser humano.

Tem mais coisas e você pode encontrá-las no livro Homens que não conseguem amar. O livro fala do comportamento masculino, mas, eu diria que há muitas mulheres que também são adeptas do free style of relationship. Tudo bem! Uma transa aqui e ali num momento em que o tesão atingiu um ápice dos mais insuportáveis... mas, ter a esperança de que esta criatura vai mudar porque nós somos nós, não acontece. A mudança só ocorre quando a gente quer e isso serve para este ser humano, que precisa de muita mas muita terapia!
Agora, como a grande maioria dos seres humanos age desta forma, fica a grande questão: há esperança? Sempre, senão não teríamos tantas histórias de amor que funcionaram entre nós reles mortais. O que há de diferente nelas? A vagareza das tartarugas mancas, o tocar pelas pontas dos dedos e no escuro para ir bem devagar e a observação de que o melhor é o carrossel que a montanha-russa porque podemos olhar uns nos olhos dos outros. A montanha-russa pode ficar para depois!

Toque

Eu não queria teus beijos nem teu corpo sobre o meu
Mas, eu suportei porque você disse aquilo
Muito antes aprendi a não saber limite algum para alma
Perdi tudo, vendi meu ser para o demônio
Vendi o que não tinha preço barato demais
Agora, eu sei porque me considero escória
Fui mesmo, faz parte da minha história
Não quero mais me vender nas ruas frias
Não quero mais dizer que pode sem querer
Quem sabe assim, olhos melhores me olhem
Tem quem diz que mereço ser rainha
Então, que o tapete vermelho se estenda!

Adendo

Esqueci de dizer quão patética me senti no hospital ao ser levada de cadeira de rodas por conta de um dedo mindinho fodido por um entorse! Aprendi a fazer malabarismo no banho para não molhar o curativo do pé. Que mais? Deu febre. Mas, aí, não sei se o estado febril, quase delirante pré-desmaio se devia à dor de garganta, zumbido no ouvido... e sistema imuno deficiente trouxe fungos também. Acho que faz parte de tudo que aconteceu nos últimos tempos. Redemoinhos revoltos! Está passando. A exaustão para o descanso chegou. Vamos ver quantos dias mais ficarei uma tartaruga manca...

Thursday, July 09, 2009

Dor, dor e dores

Tem dor que vem lá de um lugar que a gente nem sabe que existe, aquele buraco negro infindável e horroroso que de tão fundo nem sai quando a gente quer desabar o mundo de chorar. Acha que nada pode ser pior que a derrota moral de um ego ferido até que... ah! sim. Até que algo acontece e você pensa: bom, existe coisa pior que um ego ferido. Um dedo mindinho que ficou para trás em uma aula de dança contemporânea. A dor nem é tão fustigada assim, mas, algo berra: vá ao hospital. Um passo depois do outro, claudicando porque ainda é suportável. Hospital. Espera. Espera. Espera. Arrasta o pé. Atendimento da senha. Senta do lado do moço bonito. Nem sempre PS tem colírio para os olhos. Ele conversa. Eu converso. Companhia garantida. Ele se vai primeiro e então, eu sou a próxima. Então, arrasto o pé e o segurança oferece uma cadeira de rodas. O médico atende e lá vai alguém guiar para chegar onde tem o lugar para fazer raio-x e aquele corredor com cheiro de comida, que tortura até a alma penada mais inexistente quando se está com fome. Vai, volta. O médico vê o que aconteceu com o dito dolorido que só de encostar parece que tem agulhas fincadas. Nada! Gelo. Antiinflamatório e evitar mexer. Bonito foi ver o moço imobilizando: uma obra de arte em esparadrapo. Melhor ainda foi pensar que eu deveria não ter sido tão machinha e ter tomado um remédio para dor. A caminhada até o carro foi algo desesperador. Tenho certeza que faria ela com displicência e alegria infindáveis, poucos metros, mas, parecia distante... muito distante! Enfim, cheguei em casa. Suspiro. Alegria. Descanso. Repouso.
A cada passo a dor de outrora se desfaz porque a dor do corpo é mais presente.

Lado B

Meu lado B é irresponsável e nesses últimos dias, dei total vazão a este lado torto. Cansei de tentar ser reta em árvore de cerrado. Nasci torta, vou torta mesmo para o céu! Assumi com gosto a imperfeição, que, às vezes, esqueço compromissos com as pessoas, que nem sempre sou legal com os outros, que tenho tpm e sou agressiva quando me sinto ameaçada, falo o que não devo, me meto onde não sou chamada, encho a paciência dos meus amigos quando estou obcecada com alguma coisa (pobres almas, vão direto para o céu), sou sem paciência (abençoada yoga), vivo proscratinando, finjo que sou profunda, parei de ler meus livros, invento mil coisas para fazer... e, afinal, eu faço o que todos os seres humanos fazem: erram! Também descobri que amigos têm lado b e que uns são bons para fofocar, outros para papo sério e outros para segredos de estado. E a vida é divertida do jeito que está!

Tuesday, July 07, 2009

Um beijo é só um beijo

Eu me lembrei de um beijo marcante na minha vida! Até mais do que o primeiro beijo no baile de carnaval. Mas, eu fugi do beijo... eu fugi do que aquela pessoa representava. Ele era responsabilidade e lindo de morrer. Sabe sonho de consumo? Era o meu! O homem mais lindo no qual já pus os olhos na minha vida!!!! Este é um daqueles momentos "se eu pudesse voltar no tempo". Eu não posso e não posso abrir a cachola oca e mandar eu mesma fazer tudo diferente. Tudo bem! A intuição na época alertou que era para fazer assim. O beijo ficou na terra de Afrodite para sempre. Um beijo de adeus e um sinal de alerta sobre tantas coisas que não quis ouvir. Este único beijo dentre tantos que recebi, dentre tantos homens com quem troquei carícias, foi um que permaneceu. A volúpia do rapaz ou eu sei lá o que mexeu com meus brios! Beijo mexe com meus brios, é algo que me leva ao paraíso, sentir a boca colar na boca do outro, sentir a língua, o toque máximo. É íntimo, é erótico, é perfeito, é união, é tudo e é a mentira mais deslavada do mundo que beijo é sinônimo de envolvimento (isso vem antes, na conversa, no ensaio da sedução). O beijo é o que sela tudo, define como vai ser o relacionamento dali em diante. Ai! Aquele beijo... lembro de tudo tão nitidamente e, graças a Deus, o homem nunca vai ler isso daqui (ao contrário do que pode acontecer com a Tatiana com o vizinho, o meu não fala português). Tinha tudo para ser perfeito. Não foi. Agora, aguenta porque aqueles olhos de mediterrâneo ficaram naquele beijo que aconteceu uma vez na terra de Afrodite. Outro daqueles... algum dia na vida em algum momento inspirado dos deuses em algum outro lugar, talvez, paradisíaco. Eu realmente espero que as coisas sejam como elas tem que ser e que eu realmente tenha feito a coisa certa ao escapar das mãos daquele Apolo grego!
Afinal, a kiss is just a kiss (mas putaquepariu, que beijo foi aquele!!! Afinal, tanto tempo e estou eu aqui falando dele....)

Saturday, July 04, 2009

Todas as histórias de amor

Parece que todas as histórias de amor do mundo foram escritas. Tudo que conhecemos, entendemos e vimos já existe e existiu antes de nós. Basta ver as tragédias gregas, os mitos mundo afora. Um dos mais belos encontros é o de Shiva e Parvati, companheiros unidos em espiritualidade. Eros e Psiquê. O amor é uma fonte divina, que faz com que nos movimentamos com suavidade pelo mundo. No livro A história sem fim, de Michael Mann, o amor é o salva-guarda do amor entre pai e filho. O ódio também movimenta, mas, o ódio é o amor doente, segundo ouvi outro dia. A diferença é que o amor tem a possibilidade de nos salvar enquanto o ódio nos faz ir para um lugar frio e distante.
Um amor que vem fácil demais é um amor que vai fácil demais. Um amor que não exige suas provas é um amor que nunca se concretizará. Usando o mito de Eros e Psiquê, pode-se ver que ela o conquistou por ser ela mesma, mas, sua desconfiança diante de tudo que vivia de bom a fez perder o que conquistara. Portanto, teve que se submeter a ira de Afrodite e, assim, cumprir as provas que a deusa impôs a ela. Por merecimento, Psique conseguiu ajuda para cumprir as tarefas e, por fim, quando falhou em sua última tarefa, Eros veio em seu auxílio e ao se casarem tiveram por filho Voluptos (Prazer). Dito assim, parece algo mesmo apenas digno dos mitos. A concretização em tempos como os nossos parece algo tão impossível quanto o homem alcançar o fim da galáxia.
Conhecemos as histórias que começam e terminam, casamentos desfeitos, namoros que deram errado, beijos que não se concretizaram, romances que se tornaram transas, situações em que tudo que se teve foi um sexo sem sentido, momentos de prazer sem alma. Há tantas e diversas histórias, mas, poucas que se tornam exemplos de que também podemos, nós, reles mortais, vivermos a colisão de mundos que os deuses encontraram como Shiva e Parvarti, a harmonia entre o dual, que permite o caminho do meio, a liquidação das incertezas da alma, um que completa o outro sem machucar. Se isso é possível? Nossos corações querem crer que sim, por isso, assistimos filmes de amor, torcemos para que as cortes que nos cercam sejam felizes ao lermos as revistas de fofocas e nos revoltamos com o fim de algum casamento. É um pedaço de nossas esperanças que se esvaem. Neste mundo, encontramos mais sexo que amor, mais solidão que companhia, mais tristeza que alegria e tudo parece se agigantar a cada dia em nossa existência quando encontramos os casais aos beijos e de mãos dadas em todos os lugares.
O que podemos fazer para a mácula da alma não ser tão profunda e angustiante? Podemos saber que somos todos filhos do amor, que, os que vieram antes de nós se amaram um dia e nos fizeram, que eles estavam em sintonia com Parvati e Shiva, com Eros e Psique.
Cada história contém outras tantas histórias de homens e mulheres que se encontraram e se encantaram para que estivéssemos aqui. Até ontem, eu não tinha me dado conta da força da história dos meus pais, da luta árdua e da batalha contínua do amor que um tem pelo outro, de como eu, deste lugar onde estou, como criança, olho encantada para a história deles como se fosse um lindo conto de fadas, observando o desenrolar de tudo e vendo que, realmente, o amor pode tudo!
A história deles? Era uma vez, uma moça muito bonita que conheceu um rapaz em um baile de carnaval e ela não deu muita bola para ele porque ele era baixinho. No entanto, algo os fez se unir e a família do rapaz era contra o casamento porque, afinal, a moça bonita não pertencia a mesma etnia da família do rapaz e nem tinha posses como ele. Mesmo diante das adversidades, eles resistiram bravamente durante 12 anos até que, finalmente, casaram-se, tiveram dois filhos e permanecem juntos até hoje, 36 anos mais tarde, tendo passado por mais tantas coisas. Então, se algum dia, aqueles que frequentarem este café se perguntarem se o amor é possível, lembrem-se desses dois seres humanos que resistiram a tempestades árduas, mas, que seguraram um na mão do outro e seguiram adiante com a força do amor de seus corações.

Friday, July 03, 2009

Touché

Ando pensando em dor. Na minha, na dos outros e na do mundo. Houve uma época distante que eu parecia sentir uma dor imensa do mundo. Era como se tudo chorasse à minha volta e eu chorava junto, num desespero louco porque a dor não era minha. Era uma época em que eu queria salvar o planeta das mazelas causadas pelas mãos humanas. Desisti disso. A natureza é sábia. Deixo nas mãos dela fazer o que deve ser feito (a gente podia colaborar um pouco, né?). Minha história não difere da história de tanta gente e, no entanto, essa dor que sinto é pungente, é dor antiga que é nova, que renova na alma. É triste descobrir a morte de um sonho, um amor que nunca se concretizou e se realizou.
Uma pessoa me fez ver e ouvir o que eu jamais quis ver e ouvir antes. Bem que os amigos tentavam dizer o que era melhor, mas, é melhor tapar o sol com a peneira e tentar viver de migalhas de sonhos que entrar de novo na roda vida desse mundo que não tem fim de choro! Um dia sem as lágrimas, um dia com todas elas. Outro dia ouvi que tem gente que sofre mais do que eu. Sei disso como também sei que cada morte é de cada um. Perdi um mundo, ganhei outras coisas. Até tudo entrar de novo no lugar leva um tempo. Foi preciso coragem para morrer. É preciso coragem para viver também. Cada um de nós tem um momento que parece que o chão é a casa, as forças foram subtraídas e nem o sol aquece como deveria... é estar em um eterno dia de inverno.
Dói ver e saber que o amor nunca habitou uma casa perto de mim, apenas pairou de desejo, dói saber que eu nunca tive nem realizei o sonho de ter sido um grande amor para alguém, dói lembrar que eu fui sacana com quem amei, dói saber que menti, dói saber que eu machuquei alguém como me machucaram também, dói saber que eu não consigo mudar muita coisa agora, dói saber que eu nada posso fazer por aqueles que foram pisados por mim, dói saber que meu coração é amargura só neste instante, que o perdão passa a léguas de distância (é o próprio papa-léguas fugindo), dói saber que estou fraca e frágil e que restou quase nada do meu castelo, dói morrer... e dói encarar isso tudo desnuda de armas: é apenas meu corpo, meus olhos, meus sentidos, meu coração e os espelhos.
E a única coisa que acaba ficando, no fim das contas, é que tudo passa para sempre. Eu só tenho a sensação de que vou explodir de tanta angústia, de tanto medo, de tanta coisa que achei que dava conta. A vida me deu uma chicotada, aliás, touché, uma estocada perfeita no coração para eu ver que o que eu nunca tive foi o que sempre desejei e, se eu continuar, ladeira abaixo, vou continuar do mesmo jeito de sempre. A música precisa mudar e está na hora de Gloria Gaynor entrar com sua voz estonteante:
At first, I was afraid, I was petrified.
Kept thinkin' I could never live
Without you by my side,
But then I spent so many nights
Thinkin' how you did me wrong.
And I grew strong
And I learned how to get along.

Espero que todos que tenhamos esta sensação de alma corrompida possamos acompanhar para sempre Gloria Gaynor!

Thursday, July 02, 2009

Tempo passa

Fiz tudo que podia
Dei tudo que tinha
Entreguei minha alma
Desfiz meu ser
Sangrei
Chorei
Cortei
Fugi
Vivi
Tentei tanto e pouco mais
Só sei que amei demais
E não fui amada!
Queria beijos de amor
E ganhei carícias de sexo
Pena que foi assim
Tão ruim tanto tempo
O que deveria ser bom
Eu quis demais e aceitei o que não podia pagar
Deixei morrer o que fui
Agora, junto pedaços de mim
Para aquecer a fogueira do inverno
Para que o Hades seja uma lembrança
Para que os espelhos passem
E é só o tempo tempo tempo... que tem que passar!

Wednesday, July 01, 2009

Coleção de pérolas

Quando a gente acha que já ouviu tudo nesta vida... sempre tem alguém que traz alguma coisa para superar! As frases célebres que já ouvi e li: "Só gosto de estar com meus amigos quando estão bem!" - de uma amiga que sabia dos meus perrengues com depressão. "Você com sua alma negra estraga a felicidade alheia" - de uma pessoa querida (eu devia estar apurrinhando). Não, eu não vou falar que estou bem quando a alma está se desmantelando em pedaços. É, eu sei todo mundo tem problema. Mas, eu também tenho os meus e detesto essa visão Pollyana das pessoas de dizer: diz que está tudo bem! Sim, finjo que não existe nada e fica tudo lindo e perfeito. Tem hora que é melhor deixar a corda arrebentar. Agora, a segunda melhor frase que já ouvi (a primeira não vou colocar aqui, tem a ver com um evento pra lá de traumático): "Não beijo porque não quero me envolver!" Foi quase a cereja do bolo!
Se fosse assim, o que eu ia ter de homem correndo atrás de mim!!! Eu já beijei tanto na boca sem esta de intimidade forte. Beijar é bom. Nunca esqueci o primeiro beijo num baile de carnaval, das conversas do primeiro beijo, do primeiro beijo em quem a gente gosta depois do famoso primeiro dos primeiros! Colocar a língua ali encostada na boca do outro é muito tudo de bom! Quero beijar muito na boca ainda como adolescente, daqueles beijos de horas, bem demorado. Outro dia, tinha um casal no cinema no maior assanhamento do mundo, fiquei olhando... ai que vontade que deu!
Antigamente, eu olhava um casal e me dava uma tristeza tão profunda que chegava ao ponto de quase chorar. Eu queria ser beijada voluptuosamente como o casal que observava. Fazia um olho comprido em direção aos beijadores como se eu pudesse me transformar na menina beijada. Quando penso em beijo, lembro daquele filme com a Drew Barrymore: Nunca fui beijada! Agora, vou fazer o pedido direitinho lá para o céu: manda uma criatura do sexo masculina MUITO BOA DE BEIJAR NA BOCA! bonito, gentil, delicado, educado, refinado, que saiba falar sem ofender, que seja manso, polido, diplomático, divertido, generoso, fino, que goste de mim do despirocado que sou... é, acho que extrapolei os limites. Isso não existe, né? Sonhar não custa nada!